segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Águas passadas

Era tarde de um domingo, passava pouco do horário do almoço. A brisa era leve, de fato, pouco mais do que 8 nós de vento faziam o veleiro movimentar-se lentamente.

Ele estava sentado, olhos no horizonte, no bordo de boreste da embarcação. Ela estava no bordo de bombordo, mão direito na roda de leme, observando o movimento das ondulações do mar que ia e vinha devido à proximidade das rochas no lado leste de Ilhabela, rumando sul para completar a volta.




O que poderia ter sido uma tarde comum de domingo, tratava-se na realidade de uma experiência espiritual. Sim, porque a cada nova empreitada com velas ao vento, nos borrifos salgados que iluminam os rostos daqueles que amam o mar, há sempre uma experiência espiritual.

Ele tentava compreender se aquela sensação se devia a todo aquele contato com a natureza: o vento, o mar, o sol, a exuberância daquela região tão pouco explorada de Ilhabela, as aves marinhas, tartarugas que cruzam o caminho...

Ela prestava atenção nas nuvens cinzentas que se formavam no horizonte: "Deve estar chovendo forte em Santos". Respingos salgados tiraram sua atenção daquele pensamento, aquelas gotículas salgadas no rosto traziam a lembrança de tempos passados, da infância naquele mesmo mar, pouco mais a oeste, no Canal de São Sebastião, na praia de São Francisco, sentada na areia, brincando na água do mar, junto de seu melhor amigo, o irmão sete anos mais velho, outro apaixonado por aquele mundo de água de salgada.

Ele é caiçara, nascido em Alagoas, passou os primeiros anos de vida na bela praia de Paripueira, um peixinho de água salgada desde o nascimento.

Ela, apesar de nascida em ambienta mais urbano, teve na infância o contato com a natureza que toda criança deveria ter. Aos 6 meses de vida foi a primeira vez que ela entrou no mar, naquelas águas mansas de São Francisco.

Paripueira significa "águas mansas" em tupi, engraçado como antes mesmo que eles se conhecessem, a vida no mar já os aproximava.

Ele em Alagoas, ela em São Paulo, quem poderia imaginar que um dia seus destinos se cruzariam? Quem poderia dizer que estaríam, literalmente, no mesmo barco, algum dia?

Ela tinha no irmão, o exemplo, a amizade, o conforto, o suporte para a vida... Mas a vida às vezes é irônica. Um infarto fulminante, levou desse mundo, aos 28 anos de idade, o irmão-amigo. Ela viu seu mundo cair, mas a ironia da vida trouxe naquele momento, o homem de sua vida, com todo o suporte que ela precisou naquele dias nebulosos, com muito amor, respeito e admiração pela força que ela demonstrou ter para superar tudo aquilo.

Ele é o amor da vida dela, o homem que entrou na vida dela no momento certo e trouxe de volta a magia do mar. E ela foi quem o apresentou àquele paraíso na terra, foi ela, ainda com o irmão junto que o levaram para aquele que o casal passou a chamar de "o mar do coração" ou o "mar doce lar" deles.

E nesta tarde de domingo, o casal está no veleiro, vento de sul, agora já uns 14 nós, a contra-vento, seguindo, rumo à volta completa em Ilhabela, com um pôr-do-sol estonteante e uma tempestade linda e tenebrosa se aproximando. E os respingos salgados que trouxeram as belas lembranças, são águas passadas, bem como toda aquela vida que já passou. Diz a sabedoria popular que águas passadas não movem moinhos, mas para Ela, ali, sentada a bombordo do homem que ama, águas passadas movem mais do que moinhos, movem veleiros, movem sonhos, movem vidas, movem histórias, movem destinos.

O belo Cabo Horn 35 que os levava nessa magnífica jornada espiritual, de lembranças e aprendizados, de planos para o futuro e sonhos a serem alcançados, é uma metáfora materializada do que é a vida. Juntos, no mesmo barco, com passados diferentes, pois o que cada um viveu dentro da mente até aquele ponto é pessoal e intocável, mas estavam sempre de alguma forma ligados por uma paixão: o mar. E naquele magnífico pôr-do-sol, de repente seus corações e pensamentos se cruzaram, tantas aventuras juntos, agora ainda embarcados nessa vida a dois, com sonhos, objetivos e planos em comum.

ELA sou eu! E a minha vida vem em rajadas fortes e assustadoras, cheias de respingos de água salgada cheios de lembranças e aprendizados, sempre lavando a minha alma com água salgada, me renovando e revitalizando para os novos caminhos que as próximas velejadas mostrarão à minha frente.

Velejar é sempre uma experiência espiritual que nos coloca em contato direto com a natureza e nos deixa tão dependentes dos fatores externos, que nos ensina sempre a humildade de saber que não temos controle sobre tudo, que nos ensina a necessidade de sermos flexíveis e nos aproxima tanto do mundo espiritual que é quase sempre possível vislumbrar nos lugares mais improváveis um pouco daquilo que nossas almas refletem para mostrar o caminho para a realização dos nossos sonhos mais profundos.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Nordestinos, USP e UFC

Lá vou eu com as minhas saladas...

Hoje, durante o café-da-manhã, meu pai comentou: "A Globo é fogo, né?! Tiraram os direitos da Rede TV de televisionar o UFC!! Aposto que nem vão passar as lutas, só fizeram isso para não deixar a Rede TV ficar com o ibope... Porque a Globo viu o sucesso que foi quando o UFC foi no RJ". Eu quase caí da cadeira! Como assim??!! UFC na Globo??!!! Daí vi que eles planejam passar uma luta já no dia 12 e que pretendem fazer até um reality show! Hein?! Será que dá pra botar fé nisso?? Será que dessa vez não vão dar mancada como costumam fazer todas as vezes que conseguem exclusividade para televisionar qualquer outra coisa e acabam passando na hora que querem apenas o que querem! E os fãs que fiquem chupando o dedo!!

Bom, pra ser sincera, mesmo sendo fã de UFC e de artes marciais em geral desde pequenininha por causa da influência do meu irmão mais velho, o UFC não é o tema desse meu post. A verdade é que essa história me fez lembrar da minha época de estudante da graduação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Eu nunca fui das pessoas mais envolvidas com DCE e com a maioria das pessoas que "viviam" a Universidade, "respiravam" a Universidade, compravam as brigas, faziam as paralizações, reivindicações etc. Eu sempre ia para a aula, no horário exato dela, se por acaso o professor tivesse faltado ou por qualquer outra razão não tivesse aula, eu imediatamente dava meia-volta e retornava ao ponto de ônibus para regressar à minha casa. Não gostava de ficar no Centro Acadêmico e, junto com o meu seleto grupinho de amigos, costumávamos não nos envolver demais em nada que dissesse respeito aos "ideais" da instituição. No entanto, lá do nosso ladinho, havia um caldeirão em ebulição! Os tais subversivos, os revolucionários, os idealistas... Pichavam palavras anti-Globo e anti-Imperialismo... Era até divertido! (não quero me indispor com nenhum dos meus amigos! mas pra falar a verdade eu nunca concordei muito com certos tipos de manifestações, achava que com tanta tecnologia e  com tanta "inteligência", bem que poderíamos pensar em maneiras melhores de nos fazer ouvir! Afinal estávamos na Escola de COMUNICAÇÕES e ARTES de uma das melhores Universidades do País!!! Cadê os nossos conhecimentos de comunicação e a nossa criatividade??!!)

É verdade que a rede Globo é conhecida por "mandar" na mídia brasileira, a nossa agenda setting é basicamente ditada pela Globo! Mas hoje em dia, a Rede Record, por exemplo, faz uma afronta à altura, e eu acho isso fantástico, pois diminui um pouco aquela aura de "toda poderosa" da Rede Globo. E não vou ser hipócrita! Lógico que assisto a alguns programas na Globo, bem como na Record, no SBT e em qualquer outro canal, sem preconceito, se o programa me interessar eu páro e assisto. Mas na Universidade parecia que havia um movimento que colocava a Rede Globo como se fosse o demônio! E o que me fazia rir era que todo mundo bem que gostava quando a Rede Globo doava equipamentos antigos para a Escola de Comunicações e Artes, bem que todo mundo (em segredo) se candidatava ao processo seletivo de estágio e trainee da Rede Globo quando eles colocavam os cartazes nos murais da Universidade. Mas o que me fez rir "litros" foi quando o Pedro Bial foi convidado para participar do Café Acadêmico (um evento realizado pela ECA-Jr, a empresa júnior da escola, no qual uma personalidade do meio da comunicação era convidada para um "bate-papo" com os alunos). Naquela ocasião os alunos que JAMAIS admitiam que assistiam à Globo e tals, encheram o pobre coitado do Pedro Bial somente com perguntas sobre o BBB!!!! 'o_O Pelamordedeus!!!!!!! O cara é um excelente jornalista, cronista muito talentoso, como jornalista cobriu momentos históricos da humanidade como a Guerra Irã-Iraque, a queda do Muro de Berlim!!!! E os tais intelectuais da Universidade que diziam que não sucumbiam aos apelos da imperialista Rede Globo e tais programas de baixo nível, só falavam do BBB!! Muito bem, pessoal, o BBB é mesmo um programa muito cult e relevante para a nossa história!! (risos)

E mais uma vez, sem hipocrisia, que fique bem claro que eu já tive a minha fase de assistir BBB, mas como eu comecei a achar que estava ficando muito chato, parei de assisir.

Tudo isso que falei foi pra lembrar que a "toda poderosa" Rede Globo tem defeitos e vulnerabilidades como qualquer outra, lembrar que apesar das suas tentativas de continuar com sua hegemonia, com o crescimento de outras emissoras de televisão e a difusão de outras mídias, principalmente a internet, os públicos estão ficando mais diversificados, mais exigentes e exercendo seu poder de escolha. Sendo assim, como comunicóloga vejo que através da comunicação, do desenvolvimento das novas mídias, estamos alcançando um nível melhor de escolha das informações que vamos absorver, não precisamos nos contentar mais com o que a agenda setting determina.

By the way, espero que a transmissão do UFC via Rede Globo seja boa! Senão vou ter que começar a pagar o Premier Combat... ;)

Mas voltando a falar um pouco de USP, hoje pela manhã também me deparei com a triste notícia de que estudantes da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) estão no prédio da Administração da Unidade, protestando contra a presença da PM no Campus!!! Desde a minha época de estudante da graduação, sempre achei um pouco besta essa história de que a PM não poderia entrar no Campus por motivos históricos, por causa da época da ditadura etc etc. que um símbolo da repressão não poderia circular na Universidade que é território livre de pensamento e de expressão e bla bla bla...

Posso estar sendo meio egoísta, mas primeiro eu penso em segurança! Em 2003, quando entrei na Universidade, logo depois da euforia de ter passado no vestibular, já começamos a lidar com os probleminhas de segurança da Universidade! Tinha um estuprador, depois teve um monte de assaltos e carros de amigos meus sendo arrombados... Em 2011, voltei para a Universidade, agora como aluna de Especialização e mais uma vez, assaltos, arrombamentos de carros, sequestros relâmpagos e por fim, agora veio até a morte do rapaz Felipe Ramos de Paiva, numa tentativa de assalto no estacionamento EXATAMENTE ao lado do estacionamento por onde eu passava para ir para a minha aula. Inclusive, eu vi a cena do crime, estava saindo da minha aula, passei na frente daquele estacionamento, vi os carros de polícia, o corpo do rapaz ainda estava no local do crime e eu assustei porque até então, não era nem um pouco comum ver a PM no campus.

Desde aquela fatídica situação que culminou na morte do rapaz (Felipe), de vez em quando vejo a PM passando pelo Campus, ainda acontecem alguns crimes, mas são menores e com certeza diminuíram muito em comparação ao que acontecia antes. E agora, por causa de alguns estudantes que estavam fumando maconha e foram abordados pela PM, um monte de outros inconsequentes fazem uma reivindicação para a PM sair do Campus???!!! Poxa, gente! Um pouquinho de bom senso, né?! Vocês preferem poder voltar a fumar maconha livrementente pelo Campus do que evitar que mais meninas sejam estupradas, mais carros sejam arrombados, mais pessoas sejam sequestradas ou até mortas??!!! (e que fique bem claro que não tenho nada contra o pessoalzinho da maconha!!! Cada um faz o que quer da vida!! Não vou ser hipócrita, eu sou a favor da legalização, mas isso são outros quinhentos...).

E por fim, por falar em ações impensadas, em "toda poderosa", a Rede Globo impõe um padrão "Sudeste" de vida. Os âncoras de jornal são treinados para falarem como paulistas, mesmo quando são de outras regiões do Brasil; as novelas e apresentadores de programas colocam o "carioquês" como sotaque padrão; e, normalmente, os personagens nordestinos são um tanto esteriotipados. Ainda essa manhã vi um pequeno protesto de um nordestino cansado de ser discriminado e ofendido pelos não-nordestinos. E não quero defender nenhum dos preconceituosos, mas como paulista, posso dizer que somos induzidos ao preconceito, nas ruas, em casa e até mesmo nas escolas, aprendemos que os "bahianos" invadiram São Paulo e arruinaram tudo! Calma, calma! Só estou reproduzindo aqui o que nos ensinam desde criancinhas... Eu lembro que no primário, quando a "tia" ensinou o êxodo rural ela usou como exemplo os nordestinos que vinham para o sudeste! (coitada! e ela ainda estava com alguns erros conceituais meio grosseiros nesses exemplo).

O fato é que para os paulistas (e talvez isso sirva também para os cariocas, os capixabas e não sei se os mineiros), em sua maioria, não percebem que nós não seríamos tão "desenvolvidos" sem a força de trabalho que veio do Nordeste. Gente muito trabalhadora e que veio ocupar vagas de trabalho que os narizes empinados daqui não aceitaríam fazer, como se houvesse algum tipo de vergonha em trabalhar! E se no começo chegaram aqui como mão-de-obra desqualificada, mas considerável força de trabalho, tenho a impressão de que hoje o pessoal daqui não tem preconceito, mas sim despeito e inveja, pois os nordestinos provaram muitas vezes na história sua inteligência, talento e cultura e agora ocupam altos cargos de trabalho aqui, hoje ocupam lugares importantes no governo e as vagas das melhores universidades do país! Eu conheci muita gente do ITA e descobri que uns 60% dos alunos de lá são Cearenses. Dos amigos da UNICAMP, acho que tinha uma parcela beeeeem significativa de nordestinos também, a começar pelo meu Alagoano preferido, que é o amor da minha vida e um engenheiro com um futuro brilhante pela frente pela sua inteligência e idoneidade.

Agora quanto às alegações de que nordestinos foram os culpados pelo vazamento de informações do ENEM e que podem causar o cancelamento dessa prova recentemente realizada, pode até ser que um grupo de Nordestinos tenha feito isso, mas não se deve generalizar! Em todo lugar tem gente muito boa e tem gente muito ruim, dizer que TODO nordestino é mal caráter é estupidez e inveja das brabas! Paulistas ruins têm às pencas, bem como Gaúchos, Barrigas Verdes, Paranaenses, Mato Grossensses, Manauaras, Cariocas etc. E esse País está cheio de gente muito boa também, então vamos tentar fazer parte dos bons e começar não tendo preconceitos bobos, não sendo intolerantes com as diferenças, aceitando que o nosso Brasil é muito rico em diversidade cultural, em inteligência e em bom caráter. Quem só consegue ver o lado ruim de tudo e torna isso a "verdade absoluta", não conseguirá nunca ser feliz em sua realidade. A gente tem que mirar nos bons exemplos e guiar nossas atitudes de forma a permitir que eles se multipliquem.

Só pra terminar... SEM EXTREMISMOS, né, gente?! A Globo, a PM e os povos de todas as regiões do Brasil são tão bons quanto maus, são tão fortes quanto vulneráveis e acertam tanto quanto erram. Endeusar uns, endemoniar outros, a humanidade faz esse tipo de julgamento desde os seus primórdios, mas devemos lembrar que somos capazes de raciocinar e portanto refletir um pouco antes de tomar atitudes que possam prejudicar outros ou ofendê-los. Liberdade de expressão é uma coisa, mas expressar idiotices sem pensar nas consequências não é motivo de orgulho para ninguém, na verdade, é um vexame dos grandes!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Cuidando dos nossos velhinhos!


Quanto mais o tempo passa mais eu digo "meus pais tinham razão"...

E a cada dia eu entendo melhor cada atitude deles...

Hoje, sinto uma saudade imensa da minha mãe que está há quase 4 meses no Japão, pois precisou ir para lá cuidar do meu avô que ficou doente. Depois, ele acabou falecendo e minha mãe ficou um pouco mais para confortar a minha avó. Agora lembro daqueles dias na adolescência, em que eu sonhava com o dia em que seria "independente" e poderia sair da casa dos meus pais e ter "minha própria vida"! Que bobagem querer ficar longe deles!!

Nos últimos tempos, a vida tem me ensinado muito sobre "retribuir" o carinho, as broncas, os mimos, enfim, os cuidados todos que os nossos pais têm em relação a nós, filhos, durante toda a vida... Hoje sou eu quem tenho que dar bronca no meu pai e dizer para ele não comer tanta besteira, lembrá-lo de tomar os remédios e mandar vestir o casaco para não pegar um resfriado; sou eu que dou bronca na minha mãe para ela não atravessar a rua correndo, que digo para não comer tantos doces e para ser menos teimosa e ouvir o que tenho a dizer; agora sou eu quem marca os médicos e os exames deles e os acompanha, sou eu quem vai segurar a mão deles para dar força na hora da injeção, sou quem vai para a cozinha fazer comidas saudáveis e ficar brigando quando eles fazem cara feia para o prato de legumes...

E quando me dizem que sou muito brava, tenho que dizer: "eu dou bronca porque eu me preocupo com vocês, porque quero o bem de vocês!" e na sequência sempre paro pra pensar que estou falando igualzinho ao que eles falavam para mim e para o meu irmão quando éramos crianças...

Agora eu tenho que resolver as questões burocráticas de bancos e companhias telefônicas, porque eles não entendem direito a tal da tecnologia e porque já não escutam direito... Agora eu tenho que ler as embalagens dos alimentos para ver o que eles podem e o que não podem comer porque eles não enxergam direito...

São tantas inversões...

Mas sou muito grata à vida, por me permitir retribuir pelo menos um pouquinho por todo o cuidado, por todo o amor e carinho que recebi deles... Hoje entendo que em alguns momentos a preocupação que sentimos é tão grande que primeiro a gente dá bronca e depois para pra pensar na felicidade de ter quem a gente ama bem e por perto... Meus pais se sacrificaram muito para dar a mim e ao meu irmão todas as oportunidades que tivemos na vida e, mesmo que tenham sido ausentes em alguns momentos, até isso entendo que foi para o nosso bem, para que eu e o Chá nos tornássemos mais amigos, para que aprendêssemos a cuidar um do outro e para que fosse possível termos as oportunidades em termos de educação, lazer e tantas outras coisas que tivemos nas nossas vidas...

Sou muito grata aos meus pais por tudo. E acho que alguém que não é capaz de perceber que não somos nada sem eles, alguém que não reconhece que sem seus pais não teria sobrevivido nem o primeiro mês de vida e, que sem as broncas e até sem aqueles momentos de revolta infantil de nossa parte em que gritamos para o mundo que eles não nos entendem, que eles são os cabeças-duras etc. não seríamos metade do que somos hoje, não é capaz de compreender a si mesmo como adulto!

Afinal, o que seria das folhas se não estivessem presas à árvore?? Num primeiro momento poderíam sair livres voando pelo mundo, mas quanto tempo isso duraria até que caíssem no chão e apodrecessem ou secassem e fossem pisoteadas... As folhas que sempre seguem em frente são aquelas que crescem fortes em seus galhos, podem ir muito alto, podem distanciar bastante do tronco da árvore, mas é importante sempre reconhecerem que o tronco da árvore é que é a base de seu sucesso.

Então vamos cuidar dos nossos velhinhos com muito respeito e gratidão, né?!

;)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Dia do AMIGO

Lugar comum: "Amigos são a família que a gente escolhe".

Mas o lugar comum é tão aconchegante, tão acolhedor... Às vezes desejo que tudo na vida seja "lugar comum", para não mais ter de me arriscar e sentir-me desprotegida.

Entretanto, paro e penso no que seria da vida sem as grandes aventuras, sem as novidades, sem os riscos, sem ousarmos... Rotina, mesmice, tristeza, depressão...

E o medo? De não dar certo, de ser o caminho errado, de se arriscar, de passar vergonha, de não ter sucesso...

Para tanto existem os amigos! Nos amparam, nos empurram para cima, nos motivam, nos encorajam a fazer todas as besteiras do mundo e sermos felizes!!

Afinal o que é felicidade, senão o sentimento de que algo finalmente deu certo, depois de uma sucessão de desastres??!!

E quem é que sempre te incentiva a ousar, independente do sucesso ou do fracasso, senão os amigos???!!

Quem é que lhe oferece um ombro AMIGO nos fracassos e brinda com você um chopp AMIGO nos sucessos, senão... o AMIGO!!

E quem são seus amigos? Os de verdade, aqueles que nunca te abandonam, aqueles que estão com você quando você fez a maior m**** do mundo e os que estão com você quando está simplesmente FELIZ!

Para alguns, são os de infância, para outros os da escola, para outros os da rua (ou do condomínio), para alguns podem ser ainda, os distantes, os vizinhos, os irmãos, a mãe, o pai, os avós, os primos, os tios, o companheiro ou companheira (viram?! até os metalúrgicos têm amigos!!!! huahuahuahua...).

Amigo é aquele ser mágico que apesar de tudo e de todos sempre te ajuda a ser uma pessoa melhor, te dá consolo e dá bronca, te ensina e aprende com você, te ouve e confia a você os próprios pesares...

AMIGOS (mesmo aqueles que não vejo há anos!!) vocês sabem que são especiais para mim! Penso em vocês em cada dia da minha vida... E sempre desejo tudo de melhor do mundo pra vocês! Obrigada por existirem e por terem feito parte da minha vida em cada momento que, certamente, foi muito especial e por comporem a constelação de estrelinhas para as quais olho todas as noites quando fecho meus olhos e me sinto feliz por ter um céu tão estrelado na minha vida!

FELIZ DIA DO AMIGO!!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Dia Mundial do Rock


No dia 13 de julho de 1985, Bob Geldof organizou o Live Aid, um show simultâneo em Londres e na Filadélfia. A ideia era abrir os olhos do mundo para a questão da fome na Etiópia e contou com a  presença de artistas como The Who, Status Quo, Led Zeppelin, Dire Straits, Madonna, Queen, Joan Baez, David Bowie, BB King, Mick Jagger,Sting, Scorpions, U2, Paul McCartney, Phil Collins (que tocou nos dois lugares), Eric Clapton e Black Sabbath. Foi transmitido ao vivo pela BBC para vários países. 
Duas décadas depois, em 2005, Bob Geldof organizou o Live 8, como uma nova edição, com estrutura maior e shows em mais países objetivando pressionar os líderes do G8 a perdoar a dívida externa dos países mais pobres, colaborando assim, para erradicar a miséria do mundo.
Desde então o dia 13 de julho passou a ser conhecido como Dia Mundial do Rock.

Depois do momento "Blog da Sá também é cultura!", um pouco das minhas impressões...

Sempre acho legal quando gente que tem o poder de formar opinião ou de movimentar mundos e fundos por boas causas, de fato, usa esse seu "poder" como deveria. Isso é claro, pensando no mundo lindo e maravilhoso em que as pessoas realmente fazem coisas pelo bem e só por isso e NUNCA têm por trás nenhum outro motivo menos nobre, como aparecer na mídia, fazer a imagem de "bom moço" (afinal as imagens de algumas pessoas e de algumas empresas devem bagunçar a bolsa de valores mais do que o petróleo!!), enfim... Esquecendo um pouco que por trás das boas ações quase sempre existem motivações egoístas, acho legais iniciativas que mobilizem "o muuuundo tooodooo" em prol de coisas como o combate à fome e à miséria...

No entanto, hoje em dia, o combate à fome e à miséria saiu de moda, né?! Em geral, os grandes festivais e o assunto que domina a mídia e as rodas de conversas das pessoas ditas "conscientes", são basicamente de fundo ecológico! Afinal, VERDE é a cor da moda, né?! (Não estou criticando ninguém, aliás não me abstenho dessas novas estatísticas... No passado eu fazia parte da AIESEC e agia em prol do desenvolvimento das potencialidades humanas visando formar líderes comprometidos e capazes de promover a paz mundial, o fim da miséria no mundo etc. e hoje, estou aqui na luta pelas "baleias"(!) cursando meu MBA em Gestão e Tecnologias Ambientais, tentando meu mestrado no Instituto Oceanográfico e querendo salvar os oceanos da ação nociva do ser humano!! risos... Sim, ainda sou uma sonhadora, uma idealista... o mundo dá muitas voltas, but "some things, in this world, never change..." - Matrix Reloaded - nada como um pouco de sabedoria do cinema!! risos...).

..."but some things do (change)"... E é por isso que há milhões de anos eu ligaria o som no último volume e ouviria Iron Maiden o dia inteiro, acreditando estar realmente fazendo a minha parte no dia Mundial do Rock... Hoje estou no silêncio do meu quarto, escrevendo este post e me preparando para passar o dia todo estudando a ISO 14001, fazendo os fichamentos para a minha monografia e de noite ainda vou para a USP para a minha aula de Sistemas Integrados de Gestão Ambiental, Segurança e Saúde no Trabalho e, para realmente fazer a minha parte neste dia, fazer uma doação de alimentos para um asilo. Mesmo que eu não seja capaz de mudar o mundo, como no passado eu me achava capaz, aprendi com uma pessoa muito especial, que se eu puder melhorar, mesmo que por alguns momentos a vida de uma pessoa ao menos, que precise de ajuda, já estarei fazendo a minha parte, porque se todos os que têm condições fizessem algo por pelo menos UMA PESSOA em necessidade, haveria, de fato, uma mudança no mundo. Eu sei que assistencialismo não é a resposta, mas a verdade é que no ato de fazer uma doação, há muito mais do que simplesmente dar algo a alguém, há sentimentos, há atitude, há mudança na forma de pensar e de se comportar em relação à própria existência humana. É um bem que você faz não apenas à outra pessoa, mas, principalmente, a si mesmo! (e aqui voltamos aos motivos egoístas por trás de cada boa ação... risos... mas é melhor deixar pra lá, pra não perder o "romantismo" do assunto!)

So... Let's ROCK!!!! Let's change some things in ourselves...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

10 promessas ao seu cãopanheiro

Quem nunca quis um lindo filhotinho de estimação e depois que o bichinho cresceu deixou-o de lado?

Acho que pouquíssimas pessoas responderão a essa pergunta dizendo que NUNCA deixaram seu bichinho de lado. Afinal, somos egoístas e antes de mais nada, partimos do princípio de que os animais existem para nos servirem, por sermos uma espécie superior, dotada de inteligência etc. Mas mesmo que os animaizinhos não tenham a mesma capacidade intelectual que o ser humano, ainda assim eles têm sentimentos!

Sempre vejo na televicão aquelas campanhas para que as pessoas não adotem um animalzinho sem pensar antes nas consequências, para que não acabem abandonando o pobrezinho depois. Eu concordo totalmente, acho que se a pessoa se dispõe a ter um animalzinho de estimação, precisa ter consciência de que isso demandará tempo, dedicação, dinheiro para os cuidados gerais, carinho, atenção etc.

Ontem assisti um filme chamado "10 promisses I made to my dog" (dez promessas que fiz ao meu cachorro), o filme é japonês, o título original é 犬と私の10の約束. Eu me emocionei bastante, chorei litros!! (risos) Conta a história de uma menina de 13 anos, que quer muito ter um cachorro, mas a mãe só permite com a condição de que ela faça as 10 promessas que todas as pessoas devem fazer ao seu cachorro. E então a mãe enumera as promessas como se fosse o cachorrinho dizendo, são as seguintes:
1) Ouça pacientemente o que eu tenho a dizer;
2) Confie em mim, pois estarei sempre ao seu lado;
3) Brinque muito comigo;
4) Não se esqueça que eu também tenho sentimentos;
5) Não vamos nunca brigar, porque um dia eu posso ganhar;
6) Se eu não obedeço, tenho um bom motivo para isso;
7) Você tem escola e amigos, mas quanto a mim, eu só tenho você;
8) Continue sendo meu melhor amigo mesmo quando eu estiver velho;
9) Eu só vou viver aproximadamente uns 10 anos, então vamos fazer cada momento valer a pena;
10) Eu nunca vou esquecer nossos momentos juntos, por isso, quando a minha hora chegar, por favor esteja ao meu lado.

Lógico que o filme tem aquela característica de dramalhão japonês (para quem não conhece: são piores do que os mexicanos!!), mas mesmo assim é muito lindinho. Eu gostei até mais do que de Marley e Eu, pelo fato de não dar foco nas travessuras do cachorro, mas sim no quanto nós humanos somos egoístas tanto em relação aos animaizinhos quanto em relação a nossos familiares e amigos (afinal, normalmente os animaizinhos acabam meio que virando um membro da família também e, em certos momentos podem mesmo ser nossos melhores amigos!).

Quando o Eddie, meu irmãozinho canino, veio para a minha casa foi uma revolução! Antes dele nós tivemos o Leão e o Rex que eram do meu irmão e eu tive o Duque. Todos os três sofreram muito, coitadinhos, nós os deixávamos o tempo todo presos por uma corrente no quintal, nem conseguiam andar mais do que 2 metros de distância de suas casinhas, fizesse calor ou fizesse frio, dormiam na casinha de madeirinha no quintal. Eles tomavam banho de mangueirada (o coitado do Rex chegou a ser lavado com água sanitária pela Bá, minha tia, que na época achou que ele estava encardido demais!). A vida desses três não foi nada fácil! O Leão foi roubado (ele era muito bonitinho!), o Rex foi atropelado na frente da minha casa por um carro em alta velocidade e o Duque, nos últimos anos já era chamado pelos amigos da família de "surradinho" e quando estava beeem velhinho, meu pai comprou uma vitamina para ele, mas na bula estava escrito que para cães a medida era meia colher de chá, e para cavalos uma colher de sopa; meu pai querendo que o cachorro ficasse mais fortinho logo, cavava um buraco no pão francês, tirava todo o miolo e enchia dessa vitamina, resultado: o cachorro morreu de overdose! Ficou cego, não conseguia mais se sustentar sobre as próprias patinhas e um dia amanheceu morto!

Na época em que o Duque morreu, meu irmão e eu já não concordávamos há muito tempo com a forma como meus pais insistiam em criar os cãezinhos. Nós gostávamos de animaizinhos e achávamos que poderíamos mudar isso tudo.

Decidimos que queríamos outro cãozinho, mesmo os meus pais tendo proibido a gente disso! Meus pais diziam que a gente só queria e depois nem cuidávamos do bichinho e que acabava sobrando pra eles cuidarem e que depois eles se apegavam e o bichinho acabava morrendo e quem sofria mais eram eles!!!

Mas como eles conseguiam se apegar aos cãezinhos?! Eles deixavam os pobre coitados sofrendo amarrados no quintal!!! Nunca nem visitavam o bichinho pra fazer um carinho, só iam lá, deixavam a comida e a água e de vez em quando davam uma mangueirada neles e no quintal por causa da sujeira... E só!!

Meu irmão e eu bolamos um plano: nosso próximo cãozinho seria tratado como um rei! Escolhemos os nomes: se pegássemos uma fêmea seria Lika, se pegássemos um macho seria Eddie (por causa do Irona Maiden!! risos).

Saímos de casa dizendo aos meus pais que estávamos indo a uma feira de animais que estava acontecendo no estacionamento do Carrefour. Mas quando chegamos lá no Carrefour, descobrimos que a feira tinha acontecido até um dia antes! Ficamos bem chateados, mas não desistimos...

Entramos em um pet shop que havia no caminho para a nossa casa, lá perguntamos para a atendente qual era o preço de um Beagle (que era o que queríamos!!), tudo na faixa de R$600 na época. O meu irmão era universitário, mas recebia mesada do meu pai, porque ainda não trabalhava; eu ainda estava no ensino médio, minha única "renda" era o troquinho que eu conseguia juntar deixando de lanchar na hora do intervalo (guardava o dinheiro que minha mãe me dava pra comer no colégio) e o que deixava de gastar em ônibus, porque eu precisava pegar 2 ônibus pra chegar em casa, então eu ia a pé até metade do caminho e pegava só um ônibus para economizar aquele dinheirinho.

A atendente da loja mostrou outras opções, me apaixonei por um Fila lindo, filhotinho todo preto que tinha na loja, enquanto meu irmão brincava com os Lhasa que estavam do lado. De repente a mulher trouxe 3 filhotinhos que estavam em uma vitrine, que era mestiços de Cocker com Fox, eles estavam lá para adoção, só tinha quepagar os R$10 da vacina. Um desse filhotes, o mais lindo, todo branquinho e barrigudo, se jogou na mão do meu irmão! Que safado! Como ele adivinhou que eu sou a ruim e meu irmão que era o coração mole??!! Resultado: Voltamos para casa com um lindo filhotinho que nos custou apenas R$10 e uma pequena mentirinha pro meu pai nos deixar ficar com ele! (risos)

Desde o primeiro dia do Eddie em casa, a vida dele já era muuuuito diferente da vida dos outros cães que tivemos antes. Pra começar, ele dormia no banheiro do quarto do meu irmão. Forramos o chão todinho com jornal e como ele estava se sentindo muito sozinho, eu dei um dos meus bichinhos de pelúcia para ele. Nos primeiros 4 meses de vida do Eddie, o meu irmão e eu revezávamos, eu ficava com o Eddie o tempo todo das 13h (hora que eu chegava do colégio) até as 23h (hora que eu ia dormir para acordar às 5h30 no dia seguinte e ir para o colégio); o meu irmão ficava com o Eddie das 18h (hora que ele voltava da faculdade) até as 13h (hora que ele saia para a faculdade e que eu chegava para cuidar do "Dinho"). Na verdade, das 6h até mais ou menos as 12h, o Eddie fazia-nos o favor de dormir junto com o meu irmão! (risos)

O Eddie tomou todas as vacinas, vermífugos, tinha uma cama quentinha, dormia dentro de casa, tinha acesso livre aos quartos, sala, cozinha etc. Ele tem uma "gaveta" de brinquedos, cobertores (daqueles de bebês), ração das melhores marcas, toooodooo cheio de frescuras!

Quando ele tomava vacina só queria ficar no meu colo depois, ninguém podia nem tocar nele! E quando era dia de ir no pet shop tomar banho, era o meu colo que ele queria também... A vida dele, até então éramos eu e o meu irmão!

Em dezembro daquele ano, o Eddie estava com 7 meses, meu irmão e eu estávamos doidos para curtir nossas férias escolares e achamos que o "Dinho" já estava bastante grande, não precisava mais da gente o tempo todo com ele, então falamos a máxima das pessoas que têm um animalzinho, mas só pensam em si mesmas: "Nossa vida não pode girar em torno do cachorro! Ele existe para nos divertir e não o contrário! Vamos viajar!".

Meu irmão e eu fomos para a praia, passamos quase um mês lá. Nesse tempo, meu pai disse que o Eddie entrou em depressão, ficou super mal... Tadinho! Daí meu pai, com dó dele, ficou fazendo companhia pro bichinho.

Quando voltamos de viagem, o Eddie fez festinha pra gente, brincou e tals, mas a pessoa que ele mais amava no mundo agora atendia pelo "nome" de PAPAI!!

Foi assim que o Eddie nunca mais largou o meu pai por nada nesse mundo! Nunca vi amor igual. Se meu pai sai algumas horinhas só para ir ao banco, ou quando ele vai pescar, o Eddie não levanta do sofá, ele não bebe água, não come a ração, aliás não come nem picanha se a gente der, não faz xixi, não faz cocô, não late! Quando meu pai vai tomar banho, o "Dinho" fica na porta do banheiro chorando a arranhando a porta!

Há 6 anos, meu irmão faleceu, minha mãe se apegou à religião, eu tive uma depressão, mas o psicólogo me ajudou a retomar a vida, mas meu pai ficava todas as noites, sentado no quintal, no horário que meu irmão voltava do trabalho, esperando ele chegar... E mesmo nas noites mais frias, o Eddie esteve o tempo todo ao lado dele! Se não fosse o Eddie eu não sei o que teria sido do meu pai.

Na verdade, o Eddie ajudou muito a família toda. Agora eu o vejo já com 11 anos, tão velhinho, cheio de verrugas, gordo e cansado. Eu sei que ele não vai viver pra sempre, para ser sincera, sei que logo logo o Eddie vai partir. Mas o Eddie ensinou coisas muito importantes para mim e minha família. Hoje meus pais se arrependem tanto da forma como tratavam os cãezinhos que tivemos antes, eu me arrependo de ter magoado o "Dinho" quando ainda era um filhotão de 7 meses, o Eddie nos ensinou o quão enorme pode ser o amor (dele pelo meu pai!)... E o mais importante de tudo, o "Dinho" nos ensinou que não importa o quanto a gente goste de ter animais de estimação, não devemos tê-los a menos que estejamos dispostos a nos doar verdadeiramente a eles, a fazer as 10 promessas e cumpri-las.

Desculpem pelo post ENORME! Mas o filme vale mesmo a pena... E se você tem um cãopanheiro de muitos anos também, prepare um lençol pra enxugar as lágrimas porque um lencinho é pouco!! (risos)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Hein???!!

Uma vez, quando eu tinha 4 anos de idade, falando como matraca (como toda mulher!) antes de dormir, conversava com a minha mãe quando eu perguntei: "Mãe, o que minhas primas serão dos meus filhos?". Ao que minha mãe prontamente respondeu: "Carne moída assada..."!!!

'o_O

Que susto eu levei!

Mas tudo bem, coitadinha da minha mãe, ela estava morrendo de sono depois de um dia exaustivo trabalhando duro para pagar os estudos e os mimos para mim e para o meu irmão. No entanto, foi esse o meu primeiro contato com essa coisa de as pessoas conversarem com você, fazerem de conta que estão ouvindo, mas na verdade estão com a cabeça em alguma outra galáxia ou, como no caso da minha mãe, com a cabeça na cozinha... (risos!)

Anos mais tarde, já havia notado, principalmente nas pessoas adultas, esse péssimo hábito de responderem coisas sem nem terem ouvido o que foi perguntado ou simplesmente o que foi falado. Aos 15 anos de idade, cheguei em casa depois do colégio, levei uma amiga para casa para almoçar comigo. Minha tia (e madrinha), também conhecida como Ba, que é como minha segunda mãe, ajudou a me criar desde que nasci e mora na mesma casa que eu, super prestativa, esquentou o almoço e enquanto minha amiga e eu nos sentávamos à mesa, a minha tia cumpriu com seu papel de substituir minha mãe naquele momento, perguntou: "E então, meninas, como foi o dia hoje na escola?". Minha amiga e eu nos empolgamos contando tudo o que tinha acontecido, embora nosso dia não tivesse nada de empolgante, falamos que tivemos uma briga com um professor, que a mãe de um colega havia morrido e que uma pessoa que conhecíamos tinha sido atropelada por um ônibus... Enquanto falávamos todas essas coisas, a minha tia, soltava aquelas expressões clássicas que indicam que a pessoa está ouvindo: "ahm"; "sei..."; "nooossaaa!". E então quando paramos de falar e assim a Ba notou que havíamos terminado nossa narrativa ela virou pra gente e disse: "Nooossa!!! Que bom, né?!". Minha amiga ficou chocada porque a Ba achou muito bom a nossa conhecida ter sido atropelada por um ônibus, a mãe do nosso amigo ter morrido e a gente ter brigado com o professor... Mas eu olhei para ela e disse: "Não se assuste! Na verdade ela não ouviu nada do que falamos, ela só perguntou o que aconteceu no nosso dia por educação, mas na verdade ela nunca teve a intenção de ouvir!" (risos!)

Já ouvi muitas mulheres reclamando dos maridos e namorados que também não as escutam. Claro que eu também tenho minhas historinhas nesse aspecto! O Jair normalmente me ouve e quando não ouve, ele pede desculpa diz que não ouviu nada e me pede para repetir. Então os causos que tenho para contar sobre ele são todos do tipo da história da minha mãe, basicamente, quando vou dormir, eu não falo, eu disparo com uma metralhadora vocal! Então algumas vezes eu estava contando para ele do meu dia e de repente ele respondeu com a resenha de um filme que estava passando no cinema, ou eu teorizando alguma questão ética da sociedade moderna e ele me responde: "Capitão Caverna!"... Enfim, coisas desse tipo.

Ainda falando de namorados e maridos, outro dia meu pai falou algo totalmente incompreensível, eu e a Ba olhamos uma para a outra com aquela expressão de "Hein?!", mas a minha mãe esboçou um "aham" (concordando com meu pai), então eu a Ba interrogamos a minha mãe sobre o que diabos o meu pai tinha acabado de dizer, ao que minha mãe respondeu: "Ahm! Nem sei..."!! (risos)

E eu achando que era a única pessoa no universo que realmente se incomodava com esse hábito que as pessoas têm de interagir com você como se estivessem ouvindo, quando na realidade não estão. Daí encontrei no youtube uns vídeos muito bons, de um cara que, aparentemente, cansado desse comportamento das pessoas, resolveu fazer um protesto bem humorado. Nos vídeos, da série intitulada "Fala que eu não te escuto", o cara fala um monte de besteiras, tipo que ele vai torturar de uma idosa, sequestrar uma pessoa, roubar uma loja, arrombar um caixa eletrônico, mas ninguém ouve mesmo! (risos)



Vou aguardar os próximos episódios... (e quase penso em fazer minha própria versão! risos...)